10 de set. de 2011

Concordância Verbal

Concordância Verbal


Regra Geral
O verbo concorda com o sujeito em pessoa e número.
Ex.: Os ingleses desembarcaram nas Malvinas.

Sujeito composto anteposto


-     O verbo vai para o plural.  Ex.: A mão-de-obra e o material subiram de preço.

     -     O verbo fica no singular, quando os núcleos vierem resumidos por tudo, nada, alguém, ninguém, cada um. Ex.: O horário, o clima, o local, nada nos favorecia.

    -    O verbo poderá ficar no singular ou no plural, quando os núcleos forem sinônimos ou se dispuserem em sequência gradativa. 
Ex.: Medo e temor nos acompanha sempre.      
       Medo e temor nos acompanham sempre.  
      Uma brisa, um vento, o maior furacão não os inquietava.               
      Uma brisa, um vento, o maior furacão não os inquietavam.

Sujeito composto de pessoas diferentes

O verbo vai para o plural na pessoa gramatical de número mais baixo:
1ª e 2ª – o verbo vai para o plural na 1ª.
2ª e 3ª – o verbo vai para o plural na 2ª.
1ª e 3ª – o verbo vai para o plural na 1ª.

Exemplo: Eu, tu e ele sairemos agora.

Observação: Quando o sujeito é constituído pelo pronome tu mais um elemento de terceira pessoa, o verbo pode ir tanto para a segunda pessoal do plural quanto para a terceira. Ex.: Deus e tu são testemunhas. Deus e tu sois testemunhas.

Sujeito composto posposto

O verbo vai para o plural ou concorda com o núcleo mais próximo.
Ex.: Passarão o céu e a terra. / Passará o céu e a terra.

Verbo apassivado pelo pronome se

O verbo apassivado pelo pronome se concorda com o seu sujeito. Ex.: Discutiu-se o plano. / Discutiram-se os planos.

Verbo acompanhado do pronome se índice de indeterminação do sujeito

Quando a indeterminação do sujeito é marcada pelo pronome se, o verbo fica necessariamente na terceira pessoal do singular.

Exemplo:  Assistiu-se à demonstração de força.

Verbos dar, bater e soar

Os verbos dar, bater e soar, na indicação de horas, concordam com o número de horas, que normalmente é o sujeito nessa situação. Ex.: Deu uma hora.  /  Deram duas horas.

Observação: Se o sujeito não for o número das horas, não vale a regra acima. Tais verbos podem ter outros sujeitos com os quais devem concordar. Ex.: O relógio deu duas horas.

Sujeito coletivo

     -  O verbo fica no singular, quando o sujeito é constituído por um coletivo no singular. Ex.: O bando esquadrinhava a cidade deserta.

      -  O verbo pode ficar no singular ou no plural, quando vier distanciado do coletivo ou quando o coletivo, anteposto ao verbo, vier seguido de um adjunto adnominal no plural. Ex.: O povo, apesar de toda a insistência e ousadia, não conseguiu evitar a catástrofe. O povo, apesar de toda a insistência e ousadia, não conseguiram evitar a catástrofe.                                                     A multidão dos peregrinos caminhava lentamente.                                                                           A multidão dos peregrinos caminhavam lentamente.

Observação: Incluem-se no item b expressões do tipo: grande parte de ... , a maioria de ..., uma porção de ...
Ex.: A maior parte dos recursos se esgotou.
        A maior parte dos recursos se esgotaram.


Sujeito formado por nomes próprios que só têm plural

-     Se tais nomes não vierem precedidos de artigo, o verbo fica no singular. Ex.: Vassouras fica no Estado do Rio.

-     Se tais nomes vierem precedidos de artigo, o verbo concorda com o artigo. Ex.: Os Andes percorrem a América do Sul.


Observação: Se tais nomes próprios forem títulos de obras, pode ocorrer o plural ou o singular.
Exemplo:     Os Sertões glorificou nossa literatura.
                      Os Sertões glorificaram nossa literatura.

Embora precedido de artigo, o verbo pode ficar no singular, por efeito de uma concordância feita com um termo implícito: (a obra) Os Lusíadas ou (o poema) Os Lusíadas

Sujeito constituído pelo pronome relativo que

Quando o sujeito de um verbo for o pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente deste pronome.
Ex.:  Fui eu que prometi.
        Foste tu que prometeste.

Sujeito constituído pelo pronome relativo quem

Quando o sujeito de um verbo for o pronome relativo quem, há duas construções:

  -     O verbo fica na terceira pessoa do singular, concordando regularmente com o sujeito (quem). Ex.: Fui eu quem falou.

  -     O verbo concorda com o antecedente. Ex.: Fui eu quem falei.


Sujeito constituído por pronomes de tratamento

Quando o sujeito é formado por pronomes de tratamento, o verbo vai sempre para a terceira pessoa (singular ou plural). Ex.: Vossas Excelências se enganaram.

Sujeito oracional

Quando o sujeito é constituído por oração, o verbo fica na terceira pessoa do singular. Ex.: Não adianta discutir esses problemas.

Expressões mais de / menos de

Quando o sujeito for constituído das expressões mais de, menos de, o verbo concorda com o numeral que segue. Ex.: Mais de um aluno saiu. Mais de dois alunos saíram. Menos de dois casos ocorreram.

Observação: Com a expressão mais de um pode ocorrer o plural em duas situações:

-   quando o verbo dá ideia de ação recíproca. Exemplo: Mais de um veículo se entrechocaram.
-   quando a expressão mais de um vem repetida. Exemplo: Mais de um padre, mais de um bispo estavam presentes.


Núcleos ligados por ou

Há duas construções basicamente:

 se o ou cria uma relação de exclusividade, o verbo fica no singular. Exemplo: Pedro ou Paulo será eleito papa.
-   Se o ou não cria relação de exclusividade, o verbo vai para o plural. Exemplo: Matemática ou Física exigem um raciocínio bem formado.

Observação 1: Se o ou tem caráter explicativo ou corretivo, o verbo fica no singular.
Ex.: Um ministro, ou um rei, enquanto homem sofre tanto quanto um súdito.

Observação 2: Quando a partícula ou liga núcleos de pessoas diferentes, por regra, o verbo concorda com  o núcleo mais próximo.
Ex.: Ou eu ou ele irá.  /  Ou ele ou eu irei.

Expressões quais de vós / quantos de nós ...

Quando o sujeito é formado por um pronome indefinido (ou interrogativo) no plural (quais, quantos, alguns ...) seguido de um pronome pessoal preposicionado (de nós, de vós), há possibilidade de duas construções:

-    O verbo vai para a terceira pessoa do plural, concordando com o pronome indefinido ou interrogativo. Exemplo: Alguns de nós partiram. (concordando com alguns)
-    O verbo concorda com o pronome pessoal (nós ou vós) que se segue ao indefinido (ou interrogativo). Exemplo: Alguns de nós partimos.

Observação: Quando o pronome interrogativo ou indefinido estiver no singular, o verbo fica, necessariamente, na terceira pessoa do singular.
Exemplos:        Algum de nós falhou?
                       Qual de nós sairá?

Expressões um dos que / uma das que

Quando o sujeito de um verbo for o pronome relativo que, nas expressões um dos que, uma das que, o verbo vai para o plural (construção dominante), ou fica no singular.
Exemplo:       Ele foi um dos que mais falaram.
                     Ele foi um dos que mais falou.
Expressões um e outro  /   nem um nem outro

Quando o sujeito é formado pelas expressões um e outro, nem um nem outro, o verbo concorda no singular ou no plural.
Ex.:      Nem um nem outro concordou.
            Nem um nem outro concordaram.

Observação 1: O substantivo que segue a essas expressões deve ficar no singular.                             
Exemplo: Uma e outra coisa me atrai.

Observação 2: Quando núcleo de pessoas diferentes vêm ligados por nem, o mais usual é o verbo no plural, na pessoa gramatical prioritária.
Exemplo: Nem eu nem ele faltamos com a palavra.

Concordância siléptica ou silepse

Ocorre quando o verbo deixa de concordar com o sujeito expresso na frase para concordar com um elemento implícito na mente de quem fala.
Ex.: Os brasileiros somos improvisadores. (O verbo está concordando com nós – implícito.)

Verbo parecer seguido de infinitivo

O verbo parecer, seguido de infinitivo, admite duas construções:

-  flexiona-se o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo. Exemplo: Os montes parecem cair.


flexiona-se o infinitivo e não se flexiona o verbo parecer. Exemplo: Os montes parece caírem.

Haja vista / hajam vista
Com a expressão haja vista podem ocorrer várias construções:

-    a expressão fica invariável, seguida ou não da preposição a. Ex.: Haja vista os últimos acontecimentos.  /  Haja vista aos últimos acontecimentos.
-       pode variar o verbo haver se a expressão não vier seguida da preposição a. Ex.: Hajam vista os últimos acontecimentos.

Observação: Note-se que vista, nesses casos, fica sempre invariável.

Verbos impessoais
Os verbos impessoais ficam sempre na terceira pessoa do singular.
Exemplos:             Haverá sóis mais brilhantes.
                                Fará invernos rigorosos.

Também não se flexiona o verbo auxiliar que se põe junto a um verbo impessoal, formando uma locução verbal.
Exemplos:       Deverá fazer umas cinco horas.
                      Costuma haver casos mais significativos.
                      Poderá fazer invernos menos rigorosos.

Observação 1: O verbo haver no sentido de existir e o verbo fazer na indicação de tempo transcorrido ou fenômeno da natureza são impessoais.

Observação 2: O verbo existir nunca é impessoal: tem sempre sujeito com o qual concorda normalmente. Ex.: Existirão dúvidas. / Poderão existir dúvidas.

Observação 3: Quando o verbo haver funciona como auxiliar de outro verbo, deve concordar normalmente com o respectivo sujeito. Ex.: Os convidados já haviam saído.

Concordância especial do verbo ser

A concordância do verbo ser oscila frequentemente entre o sujeito e o predicativo.  Entre tantos casos, podemos ressaltar:

-    quando o sujeito e o predicativo são nomes de coisa e pertencem a números diferentes, o verbo concorda, de preferência, com o que está no plural. Ex.: Tua vida são essas ilusões. / Essas vaidades são o seu segredo.

Observação:  Nesse caso, muitas vezes, faz-se a concordância com o elemento a que se quer dar destaque. Ex.: O mundo é ilusões.

-      Quando um dos dois (predicativo ou sujeito) é nome de pessoa, a concordância se faz com a pessoa. Ex.: Você é suas decisões. / Seu orgulho eram os velhinhos.
-       O verbo concorda com o pronome pessoal, seja este sujeito, seja predicativo. Ex.:                         O professor sou eu. / Eu sou o professor.
-     Nas indicações de hora, dia e distância o verbo ser, impessoal, concorda com o predicativo. Ex.: É uma hora. / É uma légua. / É primeiro de maio. / São duas horas. / São duas léguas. / São quinze de maio.
-     Nas expressões indicativas de quantidade (do tipo: é muito, é pouco, é bastante) o verbo ser fica invariável. Ex.: Quinze quilos é pouco. / Três quilômetros é suficiente. / Dois cruzeiros é bastante. 

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