Concordância Verbal
Regra Geral
O verbo concorda com o sujeito em pessoa e número.
Ex.: Os ingleses desembarcaram nas Malvinas.
Sujeito composto anteposto
- O verbo vai para o plural. Ex.: A mão-de-obra e o material subiram de preço.
- O verbo fica no singular, quando os núcleos vierem resumidos por tudo, nada, alguém, ninguém, cada um. Ex.: O horário, o clima, o local, nada nos favorecia.
- O verbo poderá ficar no singular ou no plural, quando os núcleos forem sinônimos ou se dispuserem em sequência gradativa.
Ex.: Medo e temor nos acompanha sempre.
Medo e temor nos acompanham sempre.
Uma brisa, um vento, o maior furacão não os inquietava.
Uma brisa, um vento, o maior furacão não os inquietavam.
Ex.: Medo e temor nos acompanha sempre.
Medo e temor nos acompanham sempre.
Uma brisa, um vento, o maior furacão não os inquietava.
Uma brisa, um vento, o maior furacão não os inquietavam.
Sujeito composto de pessoas diferentes
O verbo vai para o plural na pessoa gramatical de número mais baixo:
1ª e 2ª – o verbo vai para o plural na 1ª.
2ª e 3ª – o verbo vai para o plural na 2ª.
1ª e 3ª – o verbo vai para o plural na 1ª.
Exemplo: Eu, tu e ele sairemos agora.
Observação: Quando o sujeito é constituído pelo pronome tu mais um elemento de terceira pessoa, o verbo pode ir tanto para a segunda pessoal do plural quanto para a terceira. Ex.: Deus e tu são testemunhas. Deus e tu sois testemunhas.
Sujeito composto posposto
O verbo vai para o plural ou concorda com o núcleo mais próximo.
Ex.: Passarão o céu e a terra. / Passará o céu e a terra.
Verbo apassivado pelo pronome se
O verbo apassivado pelo pronome se concorda com o seu sujeito. Ex.: Discutiu-se o plano. / Discutiram-se os planos.
Verbo acompanhado do pronome se índice de indeterminação do sujeito
Quando a indeterminação do sujeito é marcada pelo pronome se, o verbo fica necessariamente na terceira pessoal do singular.
Exemplo: Assistiu-se à demonstração de força.
Verbos dar, bater e soar
Os verbos dar, bater e soar, na indicação de horas, concordam com o número de horas, que normalmente é o sujeito nessa situação. Ex.: Deu uma hora. / Deram duas horas.
Observação: Se o sujeito não for o número das horas, não vale a regra acima. Tais verbos podem ter outros sujeitos com os quais devem concordar. Ex.: O relógio deu duas horas.
Sujeito coletivo
- O verbo fica no singular, quando o sujeito é constituído por um coletivo no singular. Ex.: O bando esquadrinhava a cidade deserta.
- O verbo pode ficar no singular ou no plural, quando vier distanciado do coletivo ou quando o coletivo, anteposto ao verbo, vier seguido de um adjunto adnominal no plural. Ex.: O povo, apesar de toda a insistência e ousadia, não conseguiu evitar a catástrofe. O povo, apesar de toda a insistência e ousadia, não conseguiram evitar a catástrofe. A multidão dos peregrinos caminhava lentamente. A multidão dos peregrinos caminhavam lentamente.
Observação: Incluem-se no item b expressões do tipo: grande parte de ... , a maioria de ..., uma porção de ...
Ex.: A maior parte dos recursos se esgotou.
A maior parte dos recursos se esgotaram.
Sujeito formado por nomes próprios que só têm plural
- Se tais nomes não vierem precedidos de artigo, o verbo fica no singular. Ex.: Vassouras fica no Estado do Rio.
- Se tais nomes vierem precedidos de artigo, o verbo concorda com o artigo. Ex.: Os Andes percorrem a América do Sul.
Observação: Se tais nomes próprios forem títulos de obras, pode ocorrer o plural ou o singular.
Exemplo: Os Sertões glorificou nossa literatura.
Os Sertões glorificaram nossa literatura.
Embora precedido de artigo, o verbo pode ficar no singular, por efeito de uma concordância feita com um termo implícito: (a obra) Os Lusíadas ou (o poema) Os Lusíadas
Sujeito constituído pelo pronome relativo que
Quando o sujeito de um verbo for o pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente deste pronome.
Ex.: Fui eu que prometi.
Foste tu que prometeste.
Sujeito constituído pelo pronome relativo quem
Quando o sujeito de um verbo for o pronome relativo quem, há duas construções:
- O verbo fica na terceira pessoa do singular, concordando regularmente com o sujeito (quem). Ex.: Fui eu quem falou.
- O verbo concorda com o antecedente. Ex.: Fui eu quem falei.
Sujeito constituído por pronomes de tratamento
Quando o sujeito é formado por pronomes de tratamento, o verbo vai sempre para a terceira pessoa (singular ou plural). Ex.: Vossas Excelências se enganaram.
Sujeito oracional
Quando o sujeito é constituído por oração, o verbo fica na terceira pessoa do singular. Ex.: Não adianta discutir esses problemas.
Expressões mais de / menos de
Quando o sujeito for constituído das expressões mais de, menos de, o verbo concorda com o numeral que segue. Ex.: Mais de um aluno saiu. Mais de dois alunos saíram. Menos de dois casos ocorreram.
Observação: Com a expressão mais de um pode ocorrer o plural em duas situações:
- quando o verbo dá ideia de ação recíproca. Exemplo: Mais de um veículo se entrechocaram.
- quando a expressão mais de um vem repetida. Exemplo: Mais de um padre, mais de um bispo estavam presentes.
Núcleos ligados por ou
Há duas construções basicamente:
- se o ou cria uma relação de exclusividade, o verbo fica no singular. Exemplo: Pedro ou Paulo será eleito papa.
- Se o ou não cria relação de exclusividade, o verbo vai para o plural. Exemplo: Matemática ou Física exigem um raciocínio bem formado.
Observação 1: Se o ou tem caráter explicativo ou corretivo, o verbo fica no singular.
Ex.: Um ministro, ou um rei, enquanto homem sofre tanto quanto um súdito.
Observação 2: Quando a partícula ou liga núcleos de pessoas diferentes, por regra, o verbo concorda com o núcleo mais próximo.
Ex.: Ou eu ou ele irá. / Ou ele ou eu irei.
Expressões quais de vós / quantos de nós ...
Quando o sujeito é formado por um pronome indefinido (ou interrogativo) no plural (quais, quantos, alguns ...) seguido de um pronome pessoal preposicionado (de nós, de vós), há possibilidade de duas construções:
- O verbo vai para a terceira pessoa do plural, concordando com o pronome indefinido ou interrogativo. Exemplo: Alguns de nós partiram. (concordando com alguns)
- O verbo concorda com o pronome pessoal (nós ou vós) que se segue ao indefinido (ou interrogativo). Exemplo: Alguns de nós partimos.
Observação: Quando o pronome interrogativo ou indefinido estiver no singular, o verbo fica, necessariamente, na terceira pessoa do singular.
Exemplos: Algum de nós falhou?
Qual de nós sairá?
Expressões um dos que / uma das que
Quando o sujeito de um verbo for o pronome relativo que, nas expressões um dos que, uma das que, o verbo vai para o plural (construção dominante), ou fica no singular.
Exemplo: Ele foi um dos que mais falaram.
Ele foi um dos que mais falou.
Expressões um e outro / nem um nem outro
Quando o sujeito é formado pelas expressões um e outro, nem um nem outro, o verbo concorda no singular ou no plural.
Ex.: Nem um nem outro concordou.
Nem um nem outro concordaram.
Observação 1: O substantivo que segue a essas expressões deve ficar no singular.
Exemplo: Uma e outra coisa me atrai.
Observação 2: Quando núcleo de pessoas diferentes vêm ligados por nem, o mais usual é o verbo no plural, na pessoa gramatical prioritária.
Exemplo: Nem eu nem ele faltamos com a palavra.
Concordância siléptica ou silepse
Ocorre quando o verbo deixa de concordar com o sujeito expresso na frase para concordar com um elemento implícito na mente de quem fala.
Ex.: Os brasileiros somos improvisadores. (O verbo está concordando com nós – implícito.)
Verbo parecer seguido de infinitivo
O verbo parecer, seguido de infinitivo, admite duas construções:
- flexiona-se o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo. Exemplo: Os montes parecem cair.
- flexiona-se o infinitivo e não se flexiona o verbo parecer. Exemplo: Os montes parece caírem.
Haja vista / hajam vista
Com a expressão haja vista podem ocorrer várias construções:
- a expressão fica invariável, seguida ou não da preposição a. Ex.: Haja vista os últimos acontecimentos. / Haja vista aos últimos acontecimentos.
- pode variar o verbo haver se a expressão não vier seguida da preposição a. Ex.: Hajam vista os últimos acontecimentos.
Observação: Note-se que vista, nesses casos, fica sempre invariável.
Verbos impessoais
Os verbos impessoais ficam sempre na terceira pessoa do singular.
Exemplos: Haverá sóis mais brilhantes.
Fará invernos rigorosos.
Também não se flexiona o verbo auxiliar que se põe junto a um verbo impessoal, formando uma locução verbal.
Exemplos: Deverá fazer umas cinco horas.
Costuma haver casos mais significativos.
Poderá fazer invernos menos rigorosos.
Observação 1: O verbo haver no sentido de existir e o verbo fazer na indicação de tempo transcorrido ou fenômeno da natureza são impessoais.
Observação 2: O verbo existir nunca é impessoal: tem sempre sujeito com o qual concorda normalmente. Ex.: Existirão dúvidas. / Poderão existir dúvidas.
Observação 3: Quando o verbo haver funciona como auxiliar de outro verbo, deve concordar normalmente com o respectivo sujeito. Ex.: Os convidados já haviam saído.
Concordância especial do verbo ser
A concordância do verbo ser oscila frequentemente entre o sujeito e o predicativo. Entre tantos casos, podemos ressaltar:
- quando o sujeito e o predicativo são nomes de coisa e pertencem a números diferentes, o verbo concorda, de preferência, com o que está no plural. Ex.: Tua vida são essas ilusões. / Essas vaidades são o seu segredo.
Observação: Nesse caso, muitas vezes, faz-se a concordância com o elemento a que se quer dar destaque. Ex.: O mundo é ilusões.
- Quando um dos dois (predicativo ou sujeito) é nome de pessoa, a concordância se faz com a pessoa. Ex.: Você é suas decisões. / Seu orgulho eram os velhinhos.
- O verbo concorda com o pronome pessoal, seja este sujeito, seja predicativo. Ex.: O professor sou eu. / Eu sou o professor.
- Nas indicações de hora, dia e distância o verbo ser, impessoal, concorda com o predicativo. Ex.: É uma hora. / É uma légua. / É primeiro de maio. / São duas horas. / São duas léguas. / São quinze de maio.
- Nas expressões indicativas de quantidade (do tipo: é muito, é pouco, é bastante) o verbo ser fica invariável. Ex.: Quinze quilos é pouco. / Três quilômetros é suficiente. / Dois cruzeiros é bastante.
Nenhum comentário:
Postar um comentário