25 de fev. de 2012
21 de fev. de 2012
13 de fev. de 2012
Escreva certo
ESCREVA CERTO
Escrevemos "afim", quando queremos dizer "semelhante".
Exemplo:
Temos temperamentos afins.
Temos temperamentos semelhantes.
Escrevemos "a fim", quando introduzimos uma oração que indica finalidade. Nesse caso, a expressão se faz seguir pelo vocábulo "de".
Exemplo:
Estamos aqui, a fim de estudar.
Pensemos bem, a fim de que respondamos certo.
Está a par ou Está ao par?
Na linguagem culta, padrão, a ideia de "estar ciente de alguma coisa" traduz-se por "estar a par" e, não, por "estar ao par". Assim, devemos dizer:
Estou a par das últimas notícias.
Ele ficou a par dos acontecimentos.
"Ao par" é uma expressão usada para indicar relação de equivalência ou igualdade entre valores financeiros (geralmente em operações cambiais):
- As moedas fortes mantêm o câmbio praticamente ao par.
As duas formas são válidas, porém têm sentidos diferentes.
Aprender (com E simples) significa tomar conhecimento de algo, saber, entender.
Exemplo:
O aluno aprendeu a lição.
Apreender (com E duplo) significa prender, fixar, aprisionar.
Exemplo:
O delegado apreendeu o contrabandista.
Haja – verbo haver (significa exista)
Aja – verbo agir
Exemplo: É preciso que ele aja com atenção, a fim de que não haja outro descuido.
HÁ X A
• Em relação a tempo, usa-se:
• Há – para tempo decorrido.
• Ex.: Há anos que não os vejo. (pode-se trocar por faz: Faz anos que não os vejo.)
• A – para tempo futuro.
• Ex.: Daqui a pouco eles chegarão.
Sessão – reunião de pessoas: sessão de cinema, sessão espírita, sessão da assembleia...
Seção (ou secção) – divisão, repartição: seção de vendas, seção de crédito, seção pessoal...
Cessão – é o ato de ceder alguma coisa: cessão de direitos( = cedência de direitos).
Chuchu é com CH e não com "x".
Colaborar significa ajudar, cooperar.
Exemplo:
Da colaboração (=cooperação) de todos depende o sucesso do conjunto.
Corroboração significa confirmação.
Exemplo:
A corroboração (=confirmação) das novas normas depende de uma análise profunda por parte de todos.
Coalizão significa união, aliança, acordo.
Exemplo:
Houve coalizão entre os dois partidos políticos, visando a uma conclusão a favor da paz.
Colisão significa choque, conflito, luta.
Exemplo:
Apesar da forte colisão entre os dois veículos, não houve mortos.
Conserto (com S) significa reparo: conserto de sapato, conserto de carro, conserto da torneira etc.
Concerto (com C) significa sessão musical, consonância de sons ou vozes.
Cozer (com Z) significa cozinhar.
Coser (com S) significa costurar.
Distratar é não cumprir o trato, desfazer o que foi tratado.
Destratar é insultar, ofender, maltratar.
Eminente significa elevado, nobre, sublime.
Exemplo:
O eminente líder apresentou suas teses.
(O nobre, o elevado líder apresentou suas teses.)
Iminente significa próximo, imediato.
Exemplo:
Perigo iminente!
(Perigo próximo!)
O normal, em português, é usar X depois de EN:
enxergar enxame enxerto
enxada enxugar enxoval
enxaqueca enxaguar enxurrada
enxovalhar
Exceções: encher, enchente, encharcar, enchiqueirar ...
As palavras terminadas pelos sons acima mencionados escrevem-se com S, quando se derivam de um substantivo.
Exemplos:
campo – camponês príncipe – princesa
montanha – montanhês barão – baronesa
França – francês
Escrevem-se com Z, quando se derivam de um adjetivo.
Exemplos:
rápido – rapidez belo – beleza
estúpido – estupidez triste – tristeza
pálido – palidez grande – grandeza
Estadia é para navio.
Estada é para pessoa.
Estadia é o tempo de permanência de um navio no porto; ou melhor, é o prazo que se concede para a carga e a descarga da embarcação ancorada.
Estada é a permanência de uma pessoa em determinado lugar.
Exemplos:
Durante minha estada em São Paulo , aprendi muito.
João teve viagem e estada pagas.
Espectador com S é aquele que assiste a um espetáculo.
Expectador com X é aquele que está na expectativa de alguma coisa; é aquele que alimenta a esperança ou a probabilidade de conseguir algo.
Estas palavras são com S (e não com X):
esplêndido
espontâneo
estranho
esgotar
ESTRAMBÓLICO
OU
ESTRAMBÓTICO?
Na língua culta, deve-se dizer estrambótico (esquisito, extravagante, ridículo).
Fragrante significa perfumado, aromático.
Flagrante, porém, é o ato em cuja prática o indivíduo é surpreendido.
Imigrante é o que entra em um país, vindo de outro. Encerra o prefixo IN que significa para dentro.
Emigrante é o que sai de um país para outro.
Encerra o prefixo EX reduzido à forma E, que significa para fora.
Insipiente com S significa não sabedor, ignorante.
Incipiente com C significa iniciante.
Exemplo: Naquela região, só os insipientes (ignorantes) não sabiam que o governo daria incentivos fiscais às indústrias incipientes(iniciantes).
Intimorato vem da forma latina timorem (temor) e significa sem temor, destemido, corajoso.
Intemerato vem da forma latina temeratus (sem mancha) e significa puro, íntegro, incorrupto.
O certo é irascível. Trata-se de uma palavra da mesma família de IRA, portanto, nada justifica o uso dos dois erres.
Não existe na língua padrão.
O substantivo feminino a janta é uma forma popular.
Na linguagem culta, devemos dizer o jantar.
Jeito é com J. E, consequentemente, todos os seus derivados também o são:
sujeitar enjeitar rejeitar ajeitar etc.
FAZ JUS (COM S) AO PRÊMIO
O vocábulo JUS é, praticamente, uma forma reduzida de justiça. Por isso, é com S.
Nota
Tal palavra só se emprega na expressão "fazer jus a" que significa "merecer por justiça", "ter direito a".
Lisonjeiro deriva da palavra lisonja, daí ser grafado com J.
Outros exemplos:
rijo – enrijecer
anjo – anjinho
manjar – manjedoura
laranja – laranjeira
E, obviamente, também são com J todos os seus derivados: majestoso, majestático, majestosamente.
Mau é um adjetivo (o contrário de bom) e, como tal, deve ser empregado junto com um substantivo.
Exemplos:
mau comportamento
mau caráter
mau aluno
Mal é advérbio de modo (contrário de bem) e, como tal, deve ser empregado junto com verbo ou adjetivo.
Exemplos:
mal-estar
mal-educado
mal-orientado
- Nunca.
A expressão "por isso" sempre deve ser grafada em duas palavras: por isso.
Aliás, o mesmo acontece com "por isto" que tem, praticamente, o mesmo sentido e ninguém hesita em escrever separado.
POR QUE – POR QUÊ – PORQUÊ – PORQUE
Grafa-se POR QUE (separado e sem acento) em dois casos:
a) Nas frases interrogativas (não no fim).
Exemplos:
Por que saíste agora?
E nós, por que ficamos?
b) Quando for substituível por "pelo qual", "pela qual", "pelos quais", "pelas quais".
Exemplo:
As dificuldades por que passei foram muitas.
(As dificuldades pelas quais passei foram muitas.)
c) Após os vocábulos EIS e DAÍ, subentende-se a palavra "motivo", o que justifica a grafia da palavra separadamente.
Exemplos:
Daí por que não aceitei as reclamações.
(Daí o motivo pelo qual não aceitei as reclamações.)
Eis por que sou muito feliz.
(Eis o motivo pelo qual sou muito feliz.)
Grafa-se POR QUÊ (separado e com acento) quando essa expressão "bater contra" um ponto final.
Exemplos:
Saíste agora por quê?
Ninguém sabe por quê.
Grafa-se PORQUÊ (junto e com acento), quando essa palavra estiver substantivada (antecedida de artigo).
Exemplos:
O porquê da questão não foi esclarecido.
Um porquê pode ser grafado de quatro modos.
Grafa-se PORQUE (junto e sem acento) nos demais casos.
Exemplos:
Não fui à aula, porque estava doente.
Preito (com R) significa reverência, homenagem.
Exemplo:
Receba, amigo Roberto, o nosso preito de gratidão.
(= Receba, amigo Roberto, a nossa homenagem de gratidão).
Pleito (com L) significa concorrência, disputa, discussão.
PREVALECIDO
É comum ouvirmos a pronúncia provalecido relativamente à pessoa que abusa de sua força.
O correto, porém, é prevalecido; deriva-se de prevalecer.
PREVINIDO OU PREVENIDO?
O certo é prevenido.
Prevenir, prevenido, desprevenido são com E, pois derivam do verbo latino venire.
Há quem escreva ou diga previlégio. Mas o certo é privilégio. Trata-se de uma palavra da mesma família de "privar", "privativo"...
A uma proeza, especialmente esportiva, ainda não realizada devemos chamar de recorde (palavra paroxítona; a sílaba forte é "cor" – aberta).
A forma record (sem E final e com sílaba forte assinalada no RE ) é inglesa.
O correto é rebuliço pois é da mesma família da bulha que significa agitação, gritaria confusa, gente em desordem.
A forma correta é reivindicação e não revindicação ou reinvidicação.
A expressão tão pouco acompanha um substantivo; e a palavra pouco, no caso, é variável.
Exemplos:
Eu tenho tão pouco tempo que não posso assumir novos compromissos.
Estava com tão pouca disposição para o trabalho, que não chegou a fazer nada.
Eu tive tão poucas oportunidades, que não arrisquei.
Tenho tão poucos amigos, que cabem todos num automóvel.
A expressão tampouco se refere a um verbo; é invariável e significa também não.
Exemplo:
Se o professor não resolveu o problema, tampouco o resolveriam os alunos.
(Se o professor não resolveu o problema, os alunos também não o resolveriam.)
O correto é terraplenar pois vem da palavra pleno (cheio).
Terraplenar é nivelar o solo, enchendo de terra (deixando plenas de terra) as depressões ou cavidades.
Essa particularidade se estende, obviamente, às palavras da mesma família: terraplenagem, terrapleno.
NÃO EXISTE TRESSOL!
O que existe é terçol, com Ç (pequeno abscesso na beira das pálpebras) e tersol, com S ( toalha de igreja para o sacerdote limpar as mãos).
A exemplo de terçol , é muito comum certos males do cotidiano terem seus nomes expostos a deformações na linguagem popular.
Outros exemplos:
Errado | Certo |
desinteria | disenteria |
estigmatismo | astigmatismo |
infarte | enfarte, enfarto ou infarto |
panariço | panarício ou panariz |
Tráfego é circulação de veículos.
Tráfico é comércio (ou transporte e comércio) ilícito.
Ex.: tráfico de drogas, tráfico de mulheres.
VIAJEM OU VIAGEM?
O verbo viajar é com J; eu viajo, tu viajas ...
Mas o substantivo "a viagem" é com G.
Exemplo:
Espero que faças boa viagem.
Garota vultosa é garota robusta.
Garota vultuosa é garota de rosto inchado.
Vultosa é da família de vulto (volume) e significa, consequentemente, volumosa, grande, robusta, de muito vulto.
Vultuosa é da mesma família de vultuosidade ( estado de inchação do rosto, particularmente dos lábios e dos olhos).
Caqui é a fruta do caquizeiro.
Cáqui é o designativo da "cor de barro".
O certo é nobel ( a última sílaba mais forte).
O certo é rubrica (a sílaba mais forte é a penúltima).
O certo é entre mim e ti.
Entre, no caso, é uma preposição e, antes dos pronomes eu e tu, não se usa preposição.
Devemos dizer para eu, quando, após essa expressão existir um verbo no infinitivo.
Exemplo:
Empreste-me esse livro para eu ler.
Devemos dizer para mim, quando, após essa expressão, não existir verbo no infinitivo.
Exemplo:
Empreste esse livro para mim.
O verbo fazer, indicando tempo (minutos, horas, dias, semanas, meses, anos), é impessoal, ou seja, permanece sempre na terceira pessoa do singular.
Exemplos:
Faz anos que nos conhecemos.
Faz duas semanas que não a vejo.
Fonte: OLIVEIRA, Édison de. Todo o mundo tem dúvida, inclusive você.
A vírgula
•A Vírgula:
• Indica uma pausa de curta duração, que não marca o fim do enunciado. Pode ser empregada para separar termos de uma oração (vírgula no interior da oração) e também para separar orações de um período (vírgula entre orações).
A vírgula no interior da oração
•a) Quando ocorre qualquer alteração na sequência lógica dos termos, temos a ordem indireta:
• Naquele dia, os candidatos receberam a imprensa.
•b) Marcando intercalações:
•A Bahia, terra do som afro, é a morada do sol.
•A sua atitude, no entanto, causou sérios desentendimentos.
•c) O nome de lugar na indicação de datas:
•Porto Alegre, 5 de julho de 2007.
•d) Marcando a omissão de uma palavra (geralmente o verbo):
•Ele prefere cinema e eu, teatro.
•e) Marcando o vocativo:
•“Meus amigos, a ordem é a base do governo.” (Machado de Assis)
•f) Separando termos coordenados:
•Não estudava nem Física, nem Química, nem Matemática, nem História.
Vírgula entre orações
•a)Nas orações subordinadas adjetivas explicativas:
•O homem, que é um ser racional, vive pouco.
•b) Nas orações subordinadas adverbiais:
•Quando o cantor entrou no palco, todos aplaudiram.
•c) Nas orações coordenadas:
•Eles se esforçaram muito, porém não obtiveram o resultado desejado.
•Cheguei, pedi silêncio, aguardei alguns minutos.
•d) Nas orações intercaladas:
•O problema das enchentes, disse o candidato, será prioritário.
Como surgiram os principais sinais de pontuação
Como surgiram os principais sinais de pontuação?
Surgiram no início do Império Bizantino (330 a 1453). Mas sua função era diferente das atuais. O que hoje é ponto final servia para separar uma palavra da outra. Os espaços brancos entre as palavras só apareceram no século VII, na Europa. Foi quando o ponto passou a finalizar a frase. O ponto de interrogação é uma invenção italiana, do século XIV. O de exclamação surgiu no século XIV. Os gráficos italianos também inventaram a vírgula e o ponto-e-vírgula no século XV (este último usado pelos antigos gregos, muito antes disso, como sinal de interrogação). Os dois-pontos surgiram no século XVI. O mais tardio foi a aspa, que surgiu no século XVII.
Revista Superinteressante, jun. 1997
Acordo Ortográfico
Guia Prático da NOVA ORTOGRAFIA
Saiba o que mudou na ortografia brasileira
Versão atualizada de acordo com o VOLP
O objetivo deste guia é expor ao leitor, de maneira objetiva, as alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste. No Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo no 54, de 18 de abril de 1995.
Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Ele não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países.
Este guia foi elaborado de acordo com a 5.ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), publicado pela Academia Brasileira de Letras em março de 2009.
Mudanças no alfabeto
O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. O alfabeto completo passa a ser:
A B C D E F G H I J
K L M N O P Q R S
T U V W X Y Z
K L M N O P Q R S
T U V W X Y Z
As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias situações. Por exemplo:
a. na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt);
b. na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano.
Trema
Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.
| Como era | Como fica |
| agüentar | aguentar |
| argüir | arguir |
| bilíngüe | bilíngue |
| cinqüenta | cinquenta |
| delinqüente | delinquente |
| eloqüente | eloquente |
| ensangüentado | ensanguentado |
| eqüestre | equestre |
| freqüente | frequente |
| lingüeta | lingueta |
| lingüiça | linguiça |
| qüinqüênio | quinquênio |
| sagüi | sagui |
| seqüência | sequência |
| seqüestro | sequestro |
| tranqüilo | tranquilo |
Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Exemplos: Müller, mülleriano.
Mudanças nas regras de acentuação
1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).
| Como era | Como fica |
| alcalóide | alcaloide |
| alcatéia | alcateia |
| andróide | androide |
| apóia | (verbo apoiar)apoia |
| apóio | (verbo apoiar)apoio |
| asteróide | asteroide |
| bóia | boia |
| celulóide | celuloide |
| clarabóia | claraboia |
| colméia | colmeia |
| Coréia | Coreia |
| debilóide | debiloide |
| epopéia | epopeia |
| estóico | estoico |
| estréia | estreia |
| estréio (verbo estrear) | estreio |
| geléia | geleia |
| heróico | heroico |
| idéia | ideia |
| jibóia | jiboia |
| jóia | joia |
| odisséia | odisseia |
| paranóia | paranoia |
| paranóico | paranoico |
| platéia | plateia |
| tramóia | tramoia |
Atenção:
Essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos terminados em éis e ói(s). Exemplos: papéis, herói, heróis, dói (verbo doer), sóis etc.
Essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos terminados em éis e ói(s). Exemplos: papéis, herói, heróis, dói (verbo doer), sóis etc.
2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo.
| Como era | Como fica |
| baiúca | baiuca |
| bocaiúva | bocaiuva* |
| cauíla | cauila** |
* bocaiuva = certo tipo de palmeira
**cauila = avarento
**cauila = avarento
Atenção:
a. se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí;
b. se o i ou o u forem precedidos de ditongo crescente, o acento permanece. Exemplos: guaíba, Guaíra.
3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).
| Como era | Como fica |
| abençôo | abençoo |
| crêem (verbo crer) | creem |
| dêem (verbo dar) | deem |
| dôo (verbo doar) | doo |
| enjôo | enjoo |
| lêem (verbo ler) | leem |
| magôo (verbo magoar) | magoo |
| perdôo (verbo perdoar) | perdoo |
| povôo (verbo povoar) | povoo |
| vêem (verbo ver) | veem |
| vôos | voos |
| zôo | zoo |
4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
| Como era | Como fica |
| Ele pára o carro. | Ele para o carro. |
| Ele foi ao pólo Norte. | Ele foi ao polo Norte. |
| Ele gosta de jogar pólo. | Ele gosta de jogar polo. |
| Esse gato tem pêlos brancos. | Esse gato tem pelos brancos. |
| Comi uma pêra. | Comi uma pera. |
Atenção:
- Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular.
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
- Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
- Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Exemplos:
Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.
Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.
- É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?
5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.
6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo. Veja:
a. se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.
Exemplos:
verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.
verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.
b. se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.
Exemplos: (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras):
verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem.
verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e i tônicos.
Uso do hífen com compostos
1. Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam elementos de ligação. Exemplos: guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira, mesa-redonda, vaga-lume, joão-ninguém, porta-malas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca.
*Exceções: Não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, paraquedismo.
2. Usa-se o hífen em compostos que têm palavras iguais ou quase iguais, sem elementos de ligação. Exemplos: reco-reco, blá-blá-blá, zum-zum, tico-tico, tique-taque, cri-cri, glu-glu, rom-rom, pingue-pongue, zigue-zague, esconde-esconde, pega-pega, corre-corre.
3. Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de ligação. Exemplos: pé de moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia, fim de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa de força, cara de pau, olho de sogra.
Incluem-se nesse caso os compostos de base oracional. Exemplos: maria vai com as outras, leva e traz, diz que diz que, deus me livre, deus nos acuda, cor de burro quando foge, bicho de sete cabeças, faz de conta.
* Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.
4. Usa-se o hífen nos compostos entre cujos elementos há o emprego do apóstrofo. Exemplos: gota-d'água, pé-d'água.
5. Usa-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos (nomes próprios de lugares), com ou sem elementos de ligação. Exemplos:
Belo Horizonte - belo-horizontino
Belo Horizonte - belo-horizontino
Porto Alegre - porto-alegrense
Mato Grosso do Sul - mato-grossense-do-sul
Rio Grande do Norte - rio-grandense-do-norte
África do Sul - sul-africano
6. Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação. Exemplos: bem-te-vi, peixe-espada, peixe-do-paraíso, mico-leão-dourado, andorinha-da-serra, lebre-da-patagônia, erva-doce, ervilha-de-cheiro, pimenta-do-reino, peroba-do-campo, cravo-da-índia.
Obs.: não se usa o hífen, quando os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas são empregados fora de seu sentido original. Observe a diferença de sentido entre os pares:
a) bico-de-papagaio (espécie de planta ornamental) - bico de papagaio(deformação nas vértebras).
b) olho-de-boi (espécie de peixe) - olho de boi (espécie de selo postal).Uso do hífen com prefixos
a) bico-de-papagaio (espécie de planta ornamental) - bico de papagaio(deformação nas vértebras).
b) olho-de-boi (espécie de peixe) - olho de boi (espécie de selo postal).Uso do hífen com prefixos
As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos (anti, super, ultra, sub etc.) ou por elementos que podem funcionar como prefixos (aero, agro, auto, eletro, geo, hidro, macro, micro, mini, multi, neo etc.).
Casos gerais
1. Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos:
anti-higiênico
anti-histórico
macro-história
mini-hotel
proto-história
sobre-humano
super-homem
ultra-humano
anti-higiênico
anti-histórico
macro-história
mini-hotel
proto-história
sobre-humano
super-homem
ultra-humano
2. Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra. Exemplos:
micro-ondas
anti-inflacionário
sub-bibliotecário
inter-regional
micro-ondas
anti-inflacionário
sub-bibliotecário
inter-regional
3. Não se usa o hífen se o prefixo terminar com letra diferente daquela com que se inicia a outra palavra. Exemplos:
autoescola
antiaéreo
intermunicipal
supersônico
superinteressante
agroindustrial
aeroespacial
semicírculo
autoescola
antiaéreo
intermunicipal
supersônico
superinteressante
agroindustrial
aeroespacial
semicírculo
* Se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar por r ou s, dobram-se essas letras. Exemplos:
minissaia
antirracismo
ultrassom
semirreta
minissaia
antirracismo
ultrassom
semirreta
Casos particulares
1. Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r. Exemplos:
sub-região
sub-reitor
sub-regional
sob-roda
sub-região
sub-reitor
sub-regional
sob-roda
2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal. Exemplos:
circum-murado
circum-navegação
pan-americano
circum-murado
circum-navegação
pan-americano
3. Usa-se o hífen com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, vice. Exemplos:
além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-hospedeiro
ex-prefeito
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-terra
vice-rei
além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-hospedeiro
ex-prefeito
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-terra
vice-rei
4. O prefixo co junta-se com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia poro ou h. Neste último caso, corta-se o h. Se a palavra seguinte começar com r ou s, dobram-se essas letras. Exemplos:
coobrigação
coedição
coeducar
cofundador
coabitação
coerdeiro
corréu
corresponsável
cosseno
coobrigação
coedição
coeducar
cofundador
coabitação
coerdeiro
corréu
corresponsável
cosseno
5. Com os prefixos pre e re, não se usa o hífen, mesmo diante de palavras começadas por e. Exemplos:
preexistente
preelaborar
reescrever
reedição
preexistente
preelaborar
reescrever
reedição
6. Na formação de palavras com ab, ob e ad, usa-se o hífen diante de palavra começada por b, d ou r. Exemplos:
ad-digital
ad-renal
ob-rogar
ab-rogar
ad-digital
ad-renal
ob-rogar
ab-rogar
Outros casos do uso do hífen
1. Não se usa o hífen na formação de palavras com não e quase. Exemplos:
(acordo de) não agressão
(isto é um) quase delito
(acordo de) não agressão
(isto é um) quase delito
2. Com mal*, usa-se o hífen quando a palavra seguinte começar por vogal, h ou l. Exemplos:
mal-entendido
mal-estar
mal-humorado
mal-limpo
mal-entendido
mal-estar
mal-humorado
mal-limpo
* Quando mal significa doença, usa-se o hífen se não houver elemento de ligação. Exemplo: mal-francês. Se houver elemento de ligação, escreve-se sem o hífen. Exemplos: mal de lázaro, mal de sete dias.
3. Usa-se o hífen com sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como açu, guaçu, mirim. Exemplos:
capim-açu (também chamada capim-comprido e capim-doido)
amoré-guaçu (amoré=peixe; guaçu=grande)
anajá-mirim ( espécie de palmeira, também chamada coco-catolé)
capim-açu (também chamada capim-comprido e capim-doido)
amoré-guaçu (amoré=peixe; guaçu=grande)
anajá-mirim ( espécie de palmeira, também chamada coco-catolé)
4. Usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos:
ponte Rio-Niterói
eixo Rio-São Paulo
ponte Rio-Niterói
eixo Rio-São Paulo
5. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos:
Na cidade, conta-
-se que ele foi viajar.
-se que ele foi viajar.
O diretor foi receber os ex-
-alunos.
-alunos.
Fonte: Douglas Tufano (Professor e autor de livros didáticos de língua portuguesa)
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