ESCREVA CERTO
Escrevemos "afim", quando queremos dizer "semelhante".
Exemplo:
Temos temperamentos afins.
Temos temperamentos semelhantes.
Escrevemos "a fim", quando introduzimos uma oração que indica finalidade. Nesse caso, a expressão se faz seguir pelo vocábulo "de".
Exemplo:
Estamos aqui, a fim de estudar.
Pensemos bem, a fim de que respondamos certo.
Está a par ou Está ao par?
Na linguagem culta, padrão, a ideia de "estar ciente de alguma coisa" traduz-se por "estar a par" e, não, por "estar ao par". Assim, devemos dizer:
Estou a par das últimas notícias.
Ele ficou a par dos acontecimentos.
"Ao par" é uma expressão usada para indicar relação de equivalência ou igualdade entre valores financeiros (geralmente em operações cambiais):
- As moedas fortes mantêm o câmbio praticamente ao par.
As duas formas são válidas, porém têm sentidos diferentes.
Aprender (com E simples) significa tomar conhecimento de algo, saber, entender.
Exemplo:
O aluno aprendeu a lição.
Apreender (com E duplo) significa prender, fixar, aprisionar.
Exemplo:
O delegado apreendeu o contrabandista.
Haja – verbo haver (significa exista)
Aja – verbo agir
Exemplo: É preciso que ele aja com atenção, a fim de que não haja outro descuido.
HÁ X A
• Em relação a tempo, usa-se:
• Há – para tempo decorrido.
• Ex.: Há anos que não os vejo. (pode-se trocar por faz: Faz anos que não os vejo.)
• A – para tempo futuro.
• Ex.: Daqui a pouco eles chegarão.
Sessão – reunião de pessoas: sessão de cinema, sessão espírita, sessão da assembleia...
Seção (ou secção) – divisão, repartição: seção de vendas, seção de crédito, seção pessoal...
Cessão – é o ato de ceder alguma coisa: cessão de direitos( = cedência de direitos).
Chuchu é com CH e não com "x".
Colaborar significa ajudar, cooperar.
Exemplo:
Da colaboração (=cooperação) de todos depende o sucesso do conjunto.
Corroboração significa confirmação.
Exemplo:
A corroboração (=confirmação) das novas normas depende de uma análise profunda por parte de todos.
Coalizão significa união, aliança, acordo.
Exemplo:
Houve coalizão entre os dois partidos políticos, visando a uma conclusão a favor da paz.
Colisão significa choque, conflito, luta.
Exemplo:
Apesar da forte colisão entre os dois veículos, não houve mortos.
Conserto (com S) significa reparo: conserto de sapato, conserto de carro, conserto da torneira etc.
Concerto (com C) significa sessão musical, consonância de sons ou vozes.
Cozer (com Z) significa cozinhar.
Coser (com S) significa costurar.
Distratar é não cumprir o trato, desfazer o que foi tratado.
Destratar é insultar, ofender, maltratar.
Eminente significa elevado, nobre, sublime.
Exemplo:
O eminente líder apresentou suas teses.
(O nobre, o elevado líder apresentou suas teses.)
Iminente significa próximo, imediato.
Exemplo:
Perigo iminente!
(Perigo próximo!)
O normal, em português, é usar X depois de EN:
enxergar enxame enxerto
enxada enxugar enxoval
enxaqueca enxaguar enxurrada
enxovalhar
Exceções: encher, enchente, encharcar, enchiqueirar ...
As palavras terminadas pelos sons acima mencionados escrevem-se com S, quando se derivam de um substantivo.
Exemplos:
campo – camponês príncipe – princesa
montanha – montanhês barão – baronesa
França – francês
Escrevem-se com Z, quando se derivam de um adjetivo.
Exemplos:
rápido – rapidez belo – beleza
estúpido – estupidez triste – tristeza
pálido – palidez grande – grandeza
Estadia é para navio.
Estada é para pessoa.
Estadia é o tempo de permanência de um navio no porto; ou melhor, é o prazo que se concede para a carga e a descarga da embarcação ancorada.
Estada é a permanência de uma pessoa em determinado lugar.
Exemplos:
Durante minha estada em São Paulo , aprendi muito.
João teve viagem e estada pagas.
Espectador com S é aquele que assiste a um espetáculo.
Expectador com X é aquele que está na expectativa de alguma coisa; é aquele que alimenta a esperança ou a probabilidade de conseguir algo.
Estas palavras são com S (e não com X):
esplêndido
espontâneo
estranho
esgotar
ESTRAMBÓLICO
OU
ESTRAMBÓTICO?
Na língua culta, deve-se dizer estrambótico (esquisito, extravagante, ridículo).
Fragrante significa perfumado, aromático.
Flagrante, porém, é o ato em cuja prática o indivíduo é surpreendido.
Imigrante é o que entra em um país, vindo de outro. Encerra o prefixo IN que significa para dentro.
Emigrante é o que sai de um país para outro.
Encerra o prefixo EX reduzido à forma E, que significa para fora.
Insipiente com S significa não sabedor, ignorante.
Incipiente com C significa iniciante.
Exemplo: Naquela região, só os insipientes (ignorantes) não sabiam que o governo daria incentivos fiscais às indústrias incipientes(iniciantes).
Intimorato vem da forma latina timorem (temor) e significa sem temor, destemido, corajoso.
Intemerato vem da forma latina temeratus (sem mancha) e significa puro, íntegro, incorrupto.
O certo é irascível. Trata-se de uma palavra da mesma família de IRA, portanto, nada justifica o uso dos dois erres.
Não existe na língua padrão.
O substantivo feminino a janta é uma forma popular.
Na linguagem culta, devemos dizer o jantar.
Jeito é com J. E, consequentemente, todos os seus derivados também o são:
sujeitar enjeitar rejeitar ajeitar etc.
FAZ JUS (COM S) AO PRÊMIO
O vocábulo JUS é, praticamente, uma forma reduzida de justiça. Por isso, é com S.
Nota
Tal palavra só se emprega na expressão "fazer jus a" que significa "merecer por justiça", "ter direito a".
Lisonjeiro deriva da palavra lisonja, daí ser grafado com J.
Outros exemplos:
rijo – enrijecer
anjo – anjinho
manjar – manjedoura
laranja – laranjeira
E, obviamente, também são com J todos os seus derivados: majestoso, majestático, majestosamente.
Mau é um adjetivo (o contrário de bom) e, como tal, deve ser empregado junto com um substantivo.
Exemplos:
mau comportamento
mau caráter
mau aluno
Mal é advérbio de modo (contrário de bem) e, como tal, deve ser empregado junto com verbo ou adjetivo.
Exemplos:
mal-estar
mal-educado
mal-orientado
- Nunca.
A expressão "por isso" sempre deve ser grafada em duas palavras: por isso.
Aliás, o mesmo acontece com "por isto" que tem, praticamente, o mesmo sentido e ninguém hesita em escrever separado.
POR QUE – POR QUÊ – PORQUÊ – PORQUE
Grafa-se POR QUE (separado e sem acento) em dois casos:
a) Nas frases interrogativas (não no fim).
Exemplos:
Por que saíste agora?
E nós, por que ficamos?
b) Quando for substituível por "pelo qual", "pela qual", "pelos quais", "pelas quais".
Exemplo:
As dificuldades por que passei foram muitas.
(As dificuldades pelas quais passei foram muitas.)
c) Após os vocábulos EIS e DAÍ, subentende-se a palavra "motivo", o que justifica a grafia da palavra separadamente.
Exemplos:
Daí por que não aceitei as reclamações.
(Daí o motivo pelo qual não aceitei as reclamações.)
Eis por que sou muito feliz.
(Eis o motivo pelo qual sou muito feliz.)
Grafa-se POR QUÊ (separado e com acento) quando essa expressão "bater contra" um ponto final.
Exemplos:
Saíste agora por quê?
Ninguém sabe por quê.
Grafa-se PORQUÊ (junto e com acento), quando essa palavra estiver substantivada (antecedida de artigo).
Exemplos:
O porquê da questão não foi esclarecido.
Um porquê pode ser grafado de quatro modos.
Grafa-se PORQUE (junto e sem acento) nos demais casos.
Exemplos:
Não fui à aula, porque estava doente.
Preito (com R) significa reverência, homenagem.
Exemplo:
Receba, amigo Roberto, o nosso preito de gratidão.
(= Receba, amigo Roberto, a nossa homenagem de gratidão).
Pleito (com L) significa concorrência, disputa, discussão.
PREVALECIDO
É comum ouvirmos a pronúncia provalecido relativamente à pessoa que abusa de sua força.
O correto, porém, é prevalecido; deriva-se de prevalecer.
PREVINIDO OU PREVENIDO?
O certo é prevenido.
Prevenir, prevenido, desprevenido são com E, pois derivam do verbo latino venire.
Há quem escreva ou diga previlégio. Mas o certo é privilégio. Trata-se de uma palavra da mesma família de "privar", "privativo"...
A uma proeza, especialmente esportiva, ainda não realizada devemos chamar de recorde (palavra paroxítona; a sílaba forte é "cor" – aberta).
A forma record (sem E final e com sílaba forte assinalada no RE ) é inglesa.
O correto é rebuliço pois é da mesma família da bulha que significa agitação, gritaria confusa, gente em desordem.
A forma correta é reivindicação e não revindicação ou reinvidicação.
A expressão tão pouco acompanha um substantivo; e a palavra pouco, no caso, é variável.
Exemplos:
Eu tenho tão pouco tempo que não posso assumir novos compromissos.
Estava com tão pouca disposição para o trabalho, que não chegou a fazer nada.
Eu tive tão poucas oportunidades, que não arrisquei.
Tenho tão poucos amigos, que cabem todos num automóvel.
A expressão tampouco se refere a um verbo; é invariável e significa também não.
Exemplo:
Se o professor não resolveu o problema, tampouco o resolveriam os alunos.
(Se o professor não resolveu o problema, os alunos também não o resolveriam.)
O correto é terraplenar pois vem da palavra pleno (cheio).
Terraplenar é nivelar o solo, enchendo de terra (deixando plenas de terra) as depressões ou cavidades.
Essa particularidade se estende, obviamente, às palavras da mesma família: terraplenagem, terrapleno.
NÃO EXISTE TRESSOL!
O que existe é terçol, com Ç (pequeno abscesso na beira das pálpebras) e tersol, com S ( toalha de igreja para o sacerdote limpar as mãos).
A exemplo de terçol , é muito comum certos males do cotidiano terem seus nomes expostos a deformações na linguagem popular.
Outros exemplos:
Errado | Certo |
desinteria | disenteria |
estigmatismo | astigmatismo |
infarte | enfarte, enfarto ou infarto |
panariço | panarício ou panariz |
Tráfego é circulação de veículos.
Tráfico é comércio (ou transporte e comércio) ilícito.
Ex.: tráfico de drogas, tráfico de mulheres.
VIAJEM OU VIAGEM?
O verbo viajar é com J; eu viajo, tu viajas ...
Mas o substantivo "a viagem" é com G.
Exemplo:
Espero que faças boa viagem.
Garota vultosa é garota robusta.
Garota vultuosa é garota de rosto inchado.
Vultosa é da família de vulto (volume) e significa, consequentemente, volumosa, grande, robusta, de muito vulto.
Vultuosa é da mesma família de vultuosidade ( estado de inchação do rosto, particularmente dos lábios e dos olhos).
Caqui é a fruta do caquizeiro.
Cáqui é o designativo da "cor de barro".
O certo é nobel ( a última sílaba mais forte).
O certo é rubrica (a sílaba mais forte é a penúltima).
O certo é entre mim e ti.
Entre, no caso, é uma preposição e, antes dos pronomes eu e tu, não se usa preposição.
Devemos dizer para eu, quando, após essa expressão existir um verbo no infinitivo.
Exemplo:
Empreste-me esse livro para eu ler.
Devemos dizer para mim, quando, após essa expressão, não existir verbo no infinitivo.
Exemplo:
Empreste esse livro para mim.
O verbo fazer, indicando tempo (minutos, horas, dias, semanas, meses, anos), é impessoal, ou seja, permanece sempre na terceira pessoa do singular.
Exemplos:
Faz anos que nos conhecemos.
Faz duas semanas que não a vejo.
Fonte: OLIVEIRA, Édison de. Todo o mundo tem dúvida, inclusive você.
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